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Respiração, Renascimento e Morte Imprimir E-mail
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Escrito por Suzana Helou   
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Respiração, Renascimento e Morte
Página 2

 

"Provavelmente toda a magia - tão importante na história da Humanidade - tem seu fundamente na respiração".

José Ângelo Gaiarsa

 

Embora seja a respiração a "única função fisiológica urgentemente necessária, sempre, em todos os instantes", nas palavras de Gaiarsa, ainda assim, a maioria de nós nunca está presente em seus movimentos. Sendo ela o princípio de vida, torna-se também princípio de morte, seja fisiológico, mental ou emocional. E se ela controla a vida e a morte, também controla as emoções: é através dela que fluem nossos sentimentos, da mesma forma que através do controle sobre ela os suplantamos. Isso equivale a dizer que mudar atitudes internas implica em mudar a respiração, ampliando-a, libertando-a Gunnel Minett define respiração como sendo "a ação recíproca entre o nosso eu interior e a atmosfera que nos envolve. Ao respirar absorvemos, além de substâncias físicas, a realidade que nos cerca, no nosso sistema interior". A respiração excelente torna-se, pois, o requisito essencial para o bem-estar tanto físico quanto psicológico, além da estreita relação que há entre ela e o espírito.

Em toda a história da humanidade, a respiração desempenhou um papel fundamental nas experiências místicas e espirituais, sendo utilizada intencionalmente para purificar os sentidos, alcançar curas e atingir níveis transcendentes em contato com outras dimensões da realidade. Minett ressalta que "muitas escolas diferentes, com técnicas de respiração consciente, se desenvolveram em todas as antigas culturas, principalmente na China e na Índia, mas também na Pérsia, na Arábia, no Egito e na Grécia e Roma antigas", muitas delas utilizadas inclusive pela medicina.

O Renascimento é uma técnica terapêutica de respiração consciente criada por Leonard Orr, que aponta duas boas razões para não discorrer muito sobre ela: primeiro, ele não pôde esperar até que estivesse pronto para abordar o tema, precipitando-se em relatar "a história de pessoas reais batalhando para incorporar a perfeita energia divina em palavras..." Segundo, nada poderia ser suficientemente bom para descrever renascimento, sendo todas as "palavras insuficientes e inúteis" mediante a "experiência biológica de Deus", quando espírito e matéria se fundem numa vivência da unidade do ser, no nível fisiológico. O renascimento funde a inspiração e a expiração, criando uma ponte entre as dimensões física e espiritual que, por sua vez, une o corpo humano à energia de vida pré-natal, da qual originou-se o corpo.

Orr considera o renascimento um "presente espiritual" e, ao mesmo tempo, uma ciência às vezes chamada de intuitiva, para receber energia, sabedoria e amor divino. Quando a energia espiritual é aplicada a uma mente condicionada ao medo e à dor, entre outras coisas, o condicionamento é desmascarado, podendo a pessoa se desvencilhar dele e, conseqüentemente, da miséria humana.

Para Gaiarsa o renascimento funciona como um estímulo para os desejos e emoções inconscientes, evidenciando, ao mesmo tempo, os modos como a pessoa luta contra esses desejos, seus esforços para conter-se, reprimir-se. Desta forma, ficam ativados os conflitos entre as forças internas. Ele até dispõe de uma explicação bioquímica para o fenômeno, afirmando que a hiperventilação acarreta "vaso constrição cerebral e certo grau de hipoxia cortical, o que reduz a força de nossas inibições adquiridas ou impostas pela educação e pela socialização. Mas os centros mais primitivos do cérebro continuam a funcionar, por serem bem menos sensíveis, ou por resistirem mais tempo à falta de oxigênio do que o córtex" - de um lado reduz nossos controles pedagógicos e condicionamentos sociais (o "adulto" dentro de nós); de outro, dá forçasà nossa criança, o nosso lado primitivo ou animal.

Não existe no ocidente um corpo teórico explicativo para as reações que ocorrem durante as sessões de respiração consciente. Por esta razão, Minett vai em busca desta luz nos diversos exercícios de respiração existentes no Oriente, justamente porque os fenômenos físicos e psicológicos registrados no processo do despertar da Kundalini em várias práticas da Ioga, por exemplo, também foram observados em sessões de renascimento. Ela aponta os exemplos abaixo relacionados, que não aparecem necessariamente nessa ordem:

1) Movimentos corporais, que podem ser suaves, ondulatórios, abruptos, espasmódicas ou vibrantes, fisiologicamente explicados como sendo o efeito da respiração sobre o cerebelo, a parte do cérebro que coordena o movimento dos músculos, afetando-o diretamente.

2) Respiração espontânea - trata-se de um ciclo de respiração natural, despertado pela prática de exercícios respiratórios e que deverá se completar antes que a pessoa volte à sua respiração normal. Esta tensão é provocada pelo hipotálamo, que monitora e controla o sangue e o seu volume de oxigênio, através da regulagem do impulso para se respirar.

3) Câimbras, que podem durar por curto ou longo período de tempo, afetando a mobilidade da pessoa, e são geralmente antecedidas pelo medo ou estados de histeria.

4) Sensações corporais, como comichões, "pontadas" ou um "borbulhar, causadas pelo estímulo do córtex sensorial. A sensação de vibração constantemente passa dos pés para as partes superiores do corpo.

5) Mudanças na temperatura do corpo, de muito quente para muito fria, possivelmente porque a força da kundalini, quando se depara com um bloqueio no corpo, provoca uma espécie de fricção que aumenta sua temperatura em determinada parte. Isso afeta o hipotálamo que, por sua vez, afetará a temperatura do corpo como um todo, causando rápidas mudanças.

6) Experiência de dor súbita em qualquer parte do corpo sem razão aparente, que com freqüência aparece apenas por alguns períodos. Tradicionalmente explica-se que a energia da kundalini se torna intensamente concentrada ao atravessar a parte"bloqueada" do corpo.

7) Experiências com luz e som: cores luminosas no corpo ou emanando dele, vozes, música, assobios ou fortes urros e silvos. Esses fenômenos podem ser causados por movimentos ondulatórios nos ventrículos (cavidades do cérebro), cuja área influencia o córtex que controla a audição e a visão.



 
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