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O Paradigma Transpessoal* Imprimir E-mail
Escrito por Leo Matos   

 

A Psicologia Transpessoal é uma ciência que estuda o ser humano em sua totalidade. Aqui o homem e a mulher não são vistos simplesmente como um indivíduo na sociedade, mas as suas relações ecológicas e cósmicas são de grande importância. Desta maneira a psicologia transpessoal abrange outros enfoques científicos, tais como, medicina, antropologia, sociologia, física, química, matemática, astronomia e metafísica. Esta "nova" ciência é basicamente intercultural e dessa maneira outras culturas de todos os tempos, com seus vários enfoques para a vida (psicológico, religioso, médico, etc.) são estudadas.

A Psicologia Transpessoal usa elementos de outras escolas de psicologia, tais como behaviorismo, psicanálise, psicologia analítica (Junguiana), psicologia humanista, e, especificamente estuda estados de consciência que transcendem a pessoa e o conceito do ego. Por isso a psicologia transpessoal pode ser definida como o estudo científico de estados de consciência.

O modelo de psicologia transpessoal é muito semelhante ao modelo quanta-relativístico da física moderna sub-atômica (veja: Matos, 1978), i.e., modelos que procuram apresentar um ponto de vista integrado da teoria de quantum e relatividade . Aqui o universo todo (matéria/energia) é uma entidade dinâmica em constante mudança num todo indivisível.

  
A HISTÓRIA DA PSICOLOGIA TRANSPESSOAL

A Psicologia Transpessoal é tão antiga quanto a humanidade, e sabemos que este "approach" cósmico para a compreensão do homem já era praticado a mais de 5000 anos pelos antigos egípcios, pelas civilizações pré-colombianas da América, na Índia e no Tibet. Hoje, várias formas de "approach" transpessoal são usados, entre outros, pelos tibetanos ( Matos, 1979 B), pelos índios pele vermelha da América do Norte e os índios da América Central e do Sul.

No ocidente, a Psicologia Transpessoal foi estabelecida por um grupo de cientistas que sentiram a necessidade de um ramo da ciência que poderia estudar e colocar em prática vários níveis de consciência. Este ramo da ciência se ocupa do estudo científico empírico, e a implementação responsável de descobertas científicas relevantes para: caminhos espirituais, meta-necessidade (individuais e sociais), valores supremos, consciência unitiva, experiências de topo ("peak experiences"), valores-B, compaixão, êxtase, experiências místicas; sendo, auto-atualização, essência, bem-aventurança, o significado final de tudo, transcendência do "self" e do espírito, unicidade, consciência cósmica, sinergia individual e total das espécies, teorias e práticas de meditação, sacralização da vida de cada dia, fenômenos transcendentais, auto-humor cósmico e capacidade de desfrutar a vida de uma maneira positiva ("playfulness") e conceitos relacionados, experiências e atividades.

Entre os fundadores deste novo enfoque estão Abraham Maslow e Anthony J. Sutich. No ano de 1966 este movimento estava emergindo nos Estados Unidos, e no verão de 1967 foram dados os primeiros passos para a sistematização deste "approach". Na primavera de 1969 foi publicado o primeiro número da revista científica Journal of Transpersonal Psychology e fundada a Associação para Psicologia Transpessoal (Association for Transpersonal Psychology). O primeiro Congresso Internacional de Psicologia Transpessoal foi realizado na Islândia em 1972; o segundo congresso teve lugar também na Islândia, em 1975; o terceiro, na Finlândia em 1976; o quarto, no Brasil em 1978 quando então, foi fundada, em Belo Horizonte, pelo Lama Tibetano Tarab Rinpoche, Stanislav Grof, Pierre Weil, e o autor deste artigo, a Associação Internacional de Psicologia Transpessoal com sede na Califórnia (Esalen Institute, Big Sur, Califórnia, USA). Pouco depois o nome da associação foi mudado para Association for Transpersonal Psychology (ITA). O nome "psicologia" foi eliminado do nome da associação pela simples razão que o transpessoal é muito mais do que psicologia; o enfoque transpessoal é em realidade um enfoque para a vida, portanto não se limitando somente a psicologia, mas incluindo outras ciências.

De 1978 em diante, a organização dos seguintes congressos ficou a cargo da ITA , a qual organizou o quinto congresso internacional nos Estados Unidos em 1979; o sexto na Austrália em 1980; o sétimo na Índia em 1982; o oitavo na Suiça em 1984 e o nono no Japão em 1986. A ITA encerrou suas atividades, depois deste congresso no Japão, devido a dificuldades financeiras. No entretanto, outros congressos internacinais continuaram a ser organizados nos Estados Unidos por várias outras instituições (v.g. a ATP - Association for Transpersonal Psychology).

O Brasil é um país que tem um "background" especificamente transpessoal (especialmente devido as civilizações pré-colombianas), e por isso, certamente, seria de se esperar neste país um interesse muito grande por este "approach" científico holístico para a vida. Aqui foi fundado em dezembro de 1978 o GONPO Instituto Brasileiro de Psicologia Transpessoal, o qual promoveu a divulgação, pesquisa científica, treinamento, vários cursos e conferências. O GONPO Instituto Brasileiro de Psicologia Transpessoal encerrou suas atividades em agosto de 1984 por falta de executivos disponíveis naquele momento para dar continuidade as atividades do mesmo. Em 1985 foi fundada a Associação Brasileira de Psicologia Transpessoal (ABPT) que funciona em convênio com a Associação de Psicologia Transpessoal da Finlândia (SUTRA - Suomen Transpersoonallisen Psykologian Seura).

Atualmente existem várias universidades, especialmente nos Estados Unidos (v.g. a Universidade da Califórnia) onde é possível se obter mestrado e doutorado em psicologia transpessoal.

  
APLICAÇÕES DA PSICOLOGIA TRANSPESSOAL

Vários são os métodos que podem ser aplicados na prática da psicoterapia transpessoal; e facilitando a pessoa a entrar num nível transpessoal, o terapeuta estará tornando acessível, a esta pessoa, o encontro com as manifestações mais profundas de seu inconsciente (v.g. experiências perinatais, experiências arquetípicas, etc), com o objetivo de facilitar ao indivíduo sua própria jornada de cura, nos níveis psicodinâmico, perinatal e transpessoal.

A experiência transpessoal pode muitas vezes desbloquear, situações traumáticas, num espaço de tempo surpreendentemente curto; quando, as mesmas, usando terapias mais convencionais, poderia levar meses e mesmo anos.

O estado natural da mente é a ordem, i.e., a harmonia consigo mesma e com o meio ambiente. Quando esta harmonia existe, a mente funciona como uma totalidade; e aqui temos então o resultado que chamamos de saúde mental. Quando existem perturbações e desarmonia, a mente perde seu estado de unidade fluente e se torna dividida, ou bloqueada, e apresenta aspectos traumáticos que podem resultar em vários tipos de depressão, ansiedade, neuroses e/ou vários tipos de psicose.

Um trauma, ou um evento mental bloqueado, é uma situação "negativa" a qual o indivíduo experienciou e agora guarda consigo (na maioria das vezes inconscientemente), como um filme antigo. A situação não mais existe, e, freqüentemente, a pessoa esqueceu completamente (reprimiu) aquela experiência desagradável. De qualquer forma, esta experiência está agora armazenada no subconsciente como um velho filme, e, sendo uma energia bloqueada, perturba o fluir natural da mente. O resultado disto é que a mente perde o seu estado de integração, de totalidade harmônica, de saúde.

A maneira de se restabelecer a saúde (ou re-integrar o que foi des-integrado) é desbloquear esta energia bloqueada. E a Psicologia Transpessoal dispõe de métodos efetivos para, primeiro desbloquear esta energia, e segundo (mais importante), facilitar a esta pessoa atingir um estado elevado de consciência (High State of Consciousness). Neste ponto então esta pessoa experiencia sua capacidade de trabalho, criatividade e capacidade de desfrutar a vida, como muito ampliada; dentro de um contexto de claridade interior e equilíbrio.

 

*Trecho de "Psicologia Transpessoal, Explorando os Vários Estados de Consciência" por Léo Matos.

 

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