| Da especialização à vocação |
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Página 1 de 19 Talvez a maior tragédia da ultrapassada modernidade aponta para a questão educacional e assim pode ser resumida: logramos o desenvolvimento sofisticado da ciência e tecnologia sem uma correspondente evolução psíquica, ética, noética e espiritual. A aculturação e educação clássica têm se resumido a um processo de adestramento racional e aquisição de um repertório comportamental adaptativo a um contexto mórbido em grande escala. Nas escolas, o aluno é obrigado a “engolir” informações que se tornam obsoletas em quatro anos e a “vomitá-las” nos exames. Aplica-se o perverso método da comparação, em que uma performance padrão é exigida, com a repressão sistemática da diversidade e originalidade. O tratamento é maciço e a transmissão autocrática, num clima tristemente paranóico, em que um suposto- saber julga um suspeito-saber. Neste alienante sistema, é solenemente desprezado o mais propriamente humano: o plano do coração, das emoções e sentimentos, da intuição, valores e a dimensão noética e transpessoal.
Assim é que o ocidental típico tornou-se perito na exploração do espaço exterior, vasculhando os confins do sistema solar, enquanto permanece virgem e inexplorada a dimensão do espaço interior, a sua própria alma. Eis o absurdo óbvio: depois de décadas de bancos escolares e universitários, o erudito doutor segue sendo um analfabeto emocional, um bárbaro da vida anímica, desconhecedor de si, enfim, um ignorante existencial.
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